O pequeno negócio chora!
A DESO está fazendo um grande trabalho de levantamento na cidade toda, analisando as instalações de água e esgoto existentes. As equipes passaram pelo bairro Santo Antonio há um mês, fazendo perguntas, anotando dados e suprindo os clientes atônitos de informações assustadoras.
Este mês o boleto de cobrança da DESO veio retratando o tal levantamento.
Tenho um imóvel na esquina da Rua Arnaldo Dantas com João Andrade, onde funcionam uma residência individual na sobreloja e duas minúsculas lojas comerciais no térreo (uma venda de frangos e uma mercearia). O boleto da DESO veio cobrando R$174,00 (cento e setenta e quatro reais) ao invés de R$31,00 (trinta e hum) como fazia antes. A nova situação reflete o que nos foi informado pelas equipes de levantamento da DESO: cada comércio (independente do porte) pagará R$70,00 e terá direito a 200 metros cúbicos de água e qualquer residência pagará R$31,00 e terá direito a 10 metros cúbicos de água, por mês.
Acontece que o consumo total das três microunidades sempre esteve em torno de 10 metros cúbicos de água. Isto é, a quota mínima reservada para residências. E foi esse o consumo também deste mês, apesar do aumento absurdo da cobrança. E mesmo com o valor de R$31,00 cobrado até então, os ocupantes das três unidades sempre demonstraram dificuldades em pagar, devido à singeleza das duas lojas e a renda do ocupante da residência.
E, agora, como se vai fazer?
Fomos à DESO para nos informar melhor e depois para protestar contra o absurdo (a nosso ver) da decisão maluca. Os funcionários nos mostraram normas internas aprovadas há muito, tentando nos convencer que tivemos muita sorte de que só agora termos sido cobrados. A empresa tinha o direito de fazê-lo bem antes. Procurei saber se estas normas haviam sido aprovadas pelos vereadores (trata-se de uma empresa meio pública), mas disseram de que não havia necessidade disso. A empresa tinha plena autonomia neste campo.
Como as duas lojas no endereço especificado, outras muitas da cidade inteira devem sofrer a mesma penalidade. Terão que pagar por um consumo de duzentos metros cúbicos por mês quando gastam apenas três. Vão ter que pagar R$70,00 reais por mês quando o faturamento diário nem chega a isso na maioria dos pequenos negócios familiares, informais, ou até regulares. Pelo que entendemos, esta taxa é cobrada do pequeno e do grande estabelecimento, sem distinção. Basta que o funcionário da DESO entenda que se trata de um ponto comercial. Que venda meia dúzia de garrafas de água mineral ou dez mil. Que seja um grande atelier de costura ou uma loja de departamentos...
Dentro de uma cidade estruturada, nos seus bairros consolidados fica muito complicado viver sem água e esgoto. Qualquer tentativa nesse sentido redundará em grandes sacrifícios para os ocupantes das unidades e muito mais para a comunidade em volta, que passará a conviver com dejetos eliminados a muito tempo do seu meio. Mesmo que se faça um poço artesiano (parece que é permitido), quem vai garantir que á água seja potável, extraída de um subsoluto tão descuidado, e que não contamine a população com doenças, redundando em maior custo para o cidadão e para o Estado!
As pequenas células que fazem a cidade viver, que fazem o dinheiro correr nas veias da economia, estão sendo assassinadas pela burocracia burra. Achamos que estas pequenas unidades comerciais devam até serem subsidiadas para poder se manter, para se multiplicarem. Que a sua taxa mínima de água e esgoto seja até menor do que a taxa mínima das residências (que lavam roupa, que dão mais descargas). É que precisamos escapar das grandes redes de supermercados que nos escravizam com seus cartões gananciosos. E como fazer isso, senão Incentivando o estabelecimento de pequenas unidades comerciais nos bairros, nas nossas esquinas. Com elas teremos mais empregos, distribuiremos mais a renda (tão necessário), baratearemos os produtos, permitiremos a livre negociação e o livre crédito. Sobre o barateamento dos produtos, sou testemunho de que o pequeno comércio do bairro tem preços bem menores do que a grande loja da cidade. E aplicam um sistema de crédito mais amigo. Pode ser comprovado por qualquer pessoa que se interesse no assunto.
Só a imprensa pode reverter o quadro que a DESO está implantando.
Só o Cinform, que tem crédito irretocável, pode conseguir.
Antonio Francisco de Jesus
(publicada no Jornal "Cinform" em 13 a 19/09/2010)
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